terça-feira, 1 de novembro de 2011

Sol e Chuva - Capítulo 13




Capítulo 13




Sábado finalmente! Pensei ao olhar pela janela. Desde quinta-feira eu e Jacob não trocávamos mais de meia dúzia de palavras, somente o suficiente. Mesmo estando juntos no grupo de patrulha. Isso estava me matando, era como se um buraco estivesse aberto no meu peito. Olhei pela janela e um sol tímido aparecia entre as nuvens.

–É o suficiente para uma praia, não sinto frio mesmo. - Corri escada acima e troquei de roupa em tempo recorde. Coloquei meu biquíni preto, um shorts jeans e uma regata branca, mais meu tênis branco. Parei quando ouvi as gotas de chuva na janela. - Merda! Cadê o sol?

Sai de casa desanimada, mas as gotas de chuva escorrendo pelo meu rosto aliviaram a minha tensão. Deitei no gramado deixando minhas roupas ficarem encharcadas. A chuva começou a apertar, mas eu estava adorando, era melhor que a água do mar. Quem sabe eu conseguiria parar de pensar em Jacob, de lembrar dos nossos beijos, das suas mãos em mim. Para já com isso, , ele ama a Bella! Coloquei as mãos no rosto pra espantar a frustração. Foi quando eu ouvi seus passos ao longe. Baixei os braços e me concentrei. Eu podia dizer exatamente a qual distância ele estava. Ele vinha devagar, hesitando. Puxa vida! Eu estava ficando boa nisso. Mordi meu lábio para tentar evitar o sorriso bobo que teimava em se formar no meu rosto, não queria atrapalhar minha máscara de indiferença. Afinal foi ele parou de falar comigo por nada. Eu ainda estava chateada com ele não estava? Eu continuei com os olhos fechados, até que ele parou a alguns metros de mim.

– Sim, Jacob? – falei sem olhá-lo, ainda com os olhos fechados.

Ele deu mais alguns passos e parou ao meu lado. Abri os olhos e deixei o sorriso escapar. Droga! Vi que Jacob me olhava estranho, mas não para o meu rosto. Baixei o meu olhar e vi que minha camiseta branca estava transparente por causa da chuva, mesmo de biquíni, aquilo me deixou constrangida. Me sentei rápido abraçando minhas pernas. Senti meu rosto esquentar, certamente eu tinha ficado muito vermelha.

–Desculpe.- ele disse e se sentou ao meu lado.

– Quer alguma coisa?- perguntei tentando não ser muito rude.


Ele olhou novamente pro meu rosto e então soltou um longo suspiro frustrado. – É que... eu não...

– Quer me dizer alguma coisa, Jacob? – falei em um tom mais alto. Aquela indecisão toda me angustiava. Tinha medo do que ele poderia dizer. Que nosso envolvimento foi um erro e que deveríamos esquecer. Fechei os olhos tentando não chorar.

.- eu abri os olhos e o encarei. Tinha que ser forte.- eu só queria falar com você.

–Fala!- disse desanimada.

–Não... eu não... não é nada especial. Eu só queria falar com você.

Arregalei os olhos. O que ele queria dizer? Que ele só queria ouvir minha voz? Não fantasia ele não disse isso.

-–Ok.- Ele me encarou novamente, mas não disse nada. - Você estava só passando e decidiu vir aqui?- sim essa era a única alternativa plausível, ele não tinha nada pra fazer e decidiu vir me fazer sofrer mais um pouquinho.

– Não... quer dizer... é!

–Jacob! – aquela atrapalhação toda tava me dando nos nervos. Mas pelo jeito eu que teria que tirar informações dele, sozinho ele não iria colocar pra fora. Respirei fundo.- O que você estava fazendo antes de vir pra cá?- falei tentando transparecer a calma que eu não sentia.

– Eu estava em casa, no meu quarto!- ele estava no quarto e decidiu vir pra cá, então ele estava pensando em mim. Não pude deixar de sorrir.- Daí, decidi que queria ouvir a tua voz! – ele disse dando de ombros olhando para a linha das árvores, onde a floresta começava. Hein? Eu ouvi o que eu ouvi?

O silêncio que se instalou depois era angustiante.

–Que bom que você veio!- eu disse baixinho e ele desviou o olhar das árvores olhando direto para os meus olhos. Depois de alguns segundos ele baixou os olhos olhando fixamente pra minha boca. Involuntariamente eu abri um pouco os lábios e minha respiração acelerou. Ele fechou os olhos e virou o rosto em direção as árvores novamente. Idiota! Soltei um gemido frustrado. E mordi os lábios com raiva. Raiva de mim, por me deixar iludir desse jeito. Uma pontada de dor no meu peito.

–Você é estranha, !- ele disse ainda olhando as árvores. O.O

–Como é?- a raiva começou a crescer e fechei os punhos me preparando para lhe dar um soco. Por mais que não fosse fazer nenhum efeito.

–Uma garota que fica na chuva sem se importar com o cabelo e a maquiagem.- ele sorriu. Eu virei o rosto para esconder as lágrimas que escapavam e se misturavam aos pingos de chuva.- Eu gosto disso!- ele disse alargando mais o sorriso. Então ele se virou pra mim e seu sorriso morreu.- Você está chorando?

Eu não agüentava mais, queria gritar. Uma hora ele me puxava pra depois me empurrar de novo.

– Não! – menti. As últimas gotas de chuva caiam sobre nós. Sequei meu rosto com as mãos.

–Você está chorando!- ele afirmou e veio com a mão em direção ao meu rosto.

Eu me desvencilhei dele e me coloquei de pé em um pulo ágil.

– Não estou, Jacob!- falei tentando não demonstrar a dor e raiva que eu sentia e comecei a caminhar em direção a praia.

– Aonde você vai?- ele disse surpreso.

–Vou pra praia!- disse sem me virar para olhá-lo – Você quer vir? – perguntei já sem saber se queria que ele viesse ou não. Mas ele aceitou o convite então corri.

Jacob poderia me alcançar facilmente, mas ele não fez. Só me seguiu correndo mantendo alguns metros de distância. Eu só queria esquecê-lo, será que era impossível? Será que ele não via o quanto essa indecisão me fazia mal?

Perto da praia pude ouvir os gritos divertidos dos garotos, e desviei o caminho correndo em direção a eles. Subi rápido ao topo do penhasco e vi que Embry tinha acabado de saltar.

–Você vai saltar? – Paul perguntou ao me ver chegando e eu só assenti, tentando sorrir um pouco.

Sem parar a corrida tirei os tênis e saltei no ar sem me importar a vez de quem era. Abri meus braços e por um momento me senti voando. Então juntei as mãos acima da cabeça e mergulhei na água gelada!

A adrenalina fazia uma corrente elétrica se espalhar pelo meu corpo. Me deixei afundar por um momento, esquecendo a dor. Mas eu precisava de ar, então nadei em direção a superfície. Cheguei a tempo de ouvir os “Uhus!” dos garotos lá em cima. Embry sorria balançando em meio às ondas. Ele levantou a mão e eu bati nela em um comprimento.

–Boa, garota!- Embry disse aprovando.

Mas ele fez um sinal com os olhos me mostrando a onda enorme que vinha, então segurou minha mão e nós mergulhamos por debaixo da crista, evitando assim que ela arrebentasse em nós. Ainda de mãos dadas nós emergimos. Foi quando eu vi que Jacob já havia pulado. Eu soltei a mão de Embry rapidamente. Jake me olhou desconfiado, acho que esperando que eu brigasse com ele por algum motivo. Mas eu não estava brava com Jacob e sim comigo. Eu sabia que ele era apaixonado pela Bella desde o primeiro dia. Então sorri e ele sorriu também, parecendo aliviado.

Ele deve me achar bipolar. Pensei enquanto nadava até a margem. Mas era assim que eu me sentia. Que esse maldito amor defeituoso me fazia sentir perto dele. Eu não era capaz de ficar com raiva de Jacob Black, por mais que ele me machucasse.

Sai da água e me deitei na areia, esperando que o resto de adrenalina que corria em minhas veias se espalhasse e minha respiração voltasse ao normal.

– E ai, mais uma?- Embry falou.

–Vai indo que eu já vou!- falei pra ele ainda deitada na areia.

Jacob se aproximou e sacudiu os cabelos molhados fazendo com que a água caísse em cima de mim. Eu me sentei e não pude evitar de soltar um gritinho histérico.

–PÁRA! – gritei rindo e jogando areia nele.

Ele riu e se sentou ao meu lado, encostando sua perna na minha. PQP será que ele achava que eu era de ferro? Tá certo que eu era uma lobisomem, mas essa tortura já era demais. Puxei minha perna me afastando dele, o que fez ele me olhar de canto e depois soltou um suspiro alto, olhando de novo para o mar.

–Você não sente falta de uma amiga, ?- ele disse ainda fitando o mar.

–Eu tenho vários amigos, Jacob!- respondi sem entender onde ele queria chegar.

– Ami– GOS. Eu estou falando de ami–GAS!

Olhei pra ele desconfiada. Vai dizer que ele quer que eu seja ami–GA da Bella. Ai é forçar demais.

– As minhas últimas experiências com ami–GAS, não deram muito certo!- respondi voltando a olhar pro mar também.

– O que houve?- ele me perguntou me encarando curioso.

Suspirei.- Ela me traiu com meu último namorado.- menti. Nunca tinha tido um namorado. Eu nunca tinha olhado para os garotos o bastante para me deixar atrair por algum deles, então eu os transformava em amigos e fugia das investidas deles. Afinal meu coração já tinha dono. Um dono relapso que nem sabia como me maltratava.

Jacob ainda me encarava.- Sinto por isso!- eu o encarei e ele parecia sincero e então continuou - Ter uma amiga é muito bom. Você pode falar coisas que não falaria com um amigo.

Virei o rosto pro lado e fechei os olhos com força para evitar que as lágrimas caíssem. Então era isso que nós éramos, amigos? Amigos que se beijavam de vez em quando, mas só amigos.

–O que você quer me contar, Jacob?- isso , se maltrata. É claro que ele quer falar da Bella. Porque eu não fico com Embry mesmo? Ah porque eu amo esse idiota que tá sentado ao meu lado. Bufei.

–Você ainda gosta dele?- ele me perguntou baixinho.

–Gosto de quem?- perguntei enrugando a testa sem entender nada.

– Do seu ex?

Meus olhos quase saltaram pra fora, como alguém inteligente como Jacob poderia ser tão imbecil ao mesmo tempo?

–De onde você tirou essa?

–É que você ficou triste quando falou dele. - ele me respondeu sério.

Eu até cheguei a achar que ele estava brincando, mas não, ele estava falando sério!

– Jacob eu vou começar a desenhar as coisas pra você. – eu falei me levantando e tentando tirar a areia das minhas pernas.

– Eu só quero que você se abra comigo, - ele disse com tom fechado, como se tivesse se controlando para não demonstrar a irritação.

–Ah! Porque mesmo? Ah sim!- falei num tom calmo e irônico – Porque nós somos uma merda de amigos! – berrei, já sentindo meus braços tremerem de raiva.

Comecei a me afastar para dentro da floresta, eu sabia que não iria agüentar muito mais tempo antes de explodir em loba. As ondulações já se estendiam pelo meu corpo. Jacob já era muito mais controlado do que eu, ele não tremia tanto. Ele deu um salto se pondo de pé e virando em minha direção.

–E O QUE NÓS SOMOS ENTÃO, ?- ele perguntou também gritando, fazendo meus olhos se encherem de lágrimas novamente. – O que você quer de mim?- ele perguntou em um tom sofrido.

– Eu só quero que você pare de me machucar.- eu respondi no mesmo tom triste. Me afastando mais dele em direção as árvores.

Jacob arregalou os olhos- Eu faço isso? Você nunca... eu nunca vi!

Mordi a língua para não gritar e despejar tudo o que eu estava sentindo, até sentir o gosto de sangue na boca.– Eu escondo os meus sentimentos desde o dia em que coloquei meus pés aqui!

Ele paralisou. Mas eu não agüentava mais eu tinha que ir embora dali. Não me transformei porque as chances de Leah estar em patrulha eram grandes, e eu não estava disposta a dividir meus pensamentos com ela. Corri mais rápido que pude.





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