terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sol e Chuva - Capítulo 5


Capítulo 5


(N/A as palavras em itálico são pensamentos)

Esperei todos entrarem, os garotos foram direto para a cozinha e começaram a abrir os armários e a pegarem pacotes de biscoitos e salgadinhos e se servindo de suco da geladeira. Só eu, John, Sam e Embry ficamos na sala, Jacob se encostou na parede. Então me sentei ao lado de Embry no chão. Meu pai e Sam estavam no sofá a minha frente. Eu evitava olhar diretamente para Jacob parado na porta, mas tinha pleno conhecimento que seus olhos estavam em mim. Eu fixei meus olhos em meu pai e em seu sorriso bobo. Só meu pai pra ficar feliz com toda essa loucura.

- , o que você se lembra das lendas do nosso povo? -meu pai me perguntou.

- Me lembro das historias que o Sr me contava. De o nosso povo ser descendente direto dos lobos.

- Mais alguma coisa ? – perguntou Sam.

- Que os guerreiros lobos defendiam nossas terras dos Frios. - Sam e meu pai balançavam a cabeça afirmativamente. – Espera um pouquinho, os Frios são vampiros!!!

- Sim!- meu pai concordou.

- Então existem vampiros em Forks? – aquele minha pergunta parecia absurda.

- Não só em Forks. – Sam respondeu. Olhei em volta, pro rosto, de cada um esperando a hora que um deles dissesse: “Brincadeirinha!” Mas todos continuavam sérios. Inclusive Jacob que agora fitava os próprios pés.

- Vampiros em Forks. - falei em voz alta tentando digerir a informação.

- Existe uma família deles que mora em Forks. – Embry falou.

- Mora? O que, tem algum castelo em Forks? – alguns garotos riram da minha pergunta idiota.

- Isso é coisa de cinema.- Embry respondeu sorrindo enquanto pegava minha mão e entrelaçava nossos dedos. Eu tinha muita coisa na cabeça pra me opor a isso.

- Essa família é diferente dos demais, eles não se alimentam de sangue humano e sim de animal. – meu pai falou.

- Espera um pouco, então aquela historia do grupo de Frios que fizeram um tratado...

- Isso filha! Você prestou atenção quando eu te contei.- John disse orgulhoso.

- Sim pai, você repetiu essa história umas mil vezes, não tinha como não gravar. Mas então existe outra família como aquela?

- Eles são os mesmos. – disse Sam. – Voltaram pra cá a uns dois anos.

- Interessante, vampiros com consciência social!- falei irônica.

- Esse é o nosso trabalho, defender nosso povo dos vampiros. Mas tem os bônus também. – Sam continuou. Sam falava aos poucos me observando, como se esperasse a hora que eu fosse surtar. Na verdade até eu estava estranhando o fato de aceitar toda essa historia tão bem.

- E quais são eles? – perguntei interessada, porque até agora pra mim só havia coisas ruins, como virar um monstro peludo, ter que lutar com vampiros até a morte e o pior, ter que dividir meus mais secretos pensamentos com um monte de garotos adolescentes, incluindo Jacob.

- Tem a velocidade, a resistência, a cicatrização rápida... – Embry começou a enumerar. Tudo isso me parecia muito bom. - ... e o fato de você não envelhecer mais.

- O quê?- perguntei maravilhada.

- Sim, no momento em que nos transformamos nosso corpo para de envelhecer.- Sam respondeu.

- Me parece um preço justo.- falei.

-Tem mais uma coisa importante, ! Estamos no meio de uma perseguição. Uma fêmea vampiro anda rondando Forks. Ela não é como os Cullens, e a intenção dela e matar Bella Swan. - Jacob se contorceu quando Sam falou o nome de Bella.


- Swan? Filha do Charlie, amigo de papai?- Perguntei para o Sam. -Mas ela é só uma garota!- Eu me lembrava que Charlie tinha uma filha da minha idade ou um pouco mais velha. Acho até que nos apresentaram uma vez mais não tinha certeza.

- Sim. Bella... namora um Cullen.- Ela namora um vampiro?!? Pensei assustada. - E ele matou o parceiro dessa vampira que a está perseguindo. Agora ela quer vingança. - Qual era o problema dessa garota, se envolvendo com um vampiro? Então subi os olhos para Jacob e ele estava com os olhos fechados e uma expressão dolorida.

Então era ela. Era por Bella que Jacob estava apaixonado. Tive que reprimir a forte vontade de abraçá-lo e confortá-lo. – é o nosso trabalho defende-la.

- Sim. - concordei sem tirar os olhos de Jacob. Daí que vem toda a sua dor meu amor.

- Acho que por enquanto, você já tem informações suficientes pra processar. O restante nós te passamos depois.

- Ok Chefe!- fiz um sinal de escoteiro. Sam juntou as sobrancelhas, mas depois riu.

- Só Sam, . Mas sério como você está se sentindo?

Eu pensei por um instante e conclui que tirando o fato da dor de Jacob, aquilo não me incomodava mesmo.

– Estou bem. La Push sempre foi a minha casa, eu me sentia deslocada fora daqui. Agora parece que estou completa. - Todos me olhavam como se eu fosse um ET parado no meio da sala. - Sério, eu não acho ruim.

Então como por encanto o clima pesado que fazia com que os garotos ficassem estranhamente quietos se desfez e eles voltaram a conversar e brincar entre si.

- Então ta vamos dividir os grupos de patrulha. – ordenou Sam. - Paul, Embry e Seth, vocês ficam de vigia até as 22 hs. Jacob, Embry e Quil, vocês fazem das dez às seis da manhã, então é bom vocês dormirem agora. Você não tem aula de manhã, não é ? – Sam perguntou se virando para mim.

- Não eu começo só em setembro. - respondi.

- Então você faz o turno das seis ao meio dia comigo e Leah, ok?

-Ok. - respondi enquanto me despedia dos três garotos que iriam sair em patrulha. Os acompanhei até a porta ficando a centímetros de Jacob. Levantei os olhos para encará-lo e ele fez um movimento com a cabeça para que eu o seguisse.

Ele caminhou até quase o inicio da trilha comigo o seguindo a alguns passos de distância, então ele parou e se virou para me olhar. Ele me encarava sério e eu já sabia o que ele queria falar.

- , eu queria...

- Para com isso, Jake! Chega de pedir desculpas. Eu também estava lá e caso não tenha reparado, eu participei também. Você não fez nada que eu não quisesse. – Muito! Acrescentei em pensamento. – Então se você me pedir desculpas eu tenho que te pedir também. E eu não acho que foi ruim para ter que te pedir desculpas. – falei em um fio de voz.

- Não disse que achei ruim. – ele disse levantando meu rosto com a mão para que eu o encarasse. – Muito pelo contrario! – Meu coração acelerou se enchendo de esperanças.

– Mas... – Mas, tinha que ter um mas. Torci os lábios em descontentamento, esperando novamente pela rejeição. – não é certo, . Eu não...

- Jake, Jake! Ok, eu entendi! – o interrompi antes que ele dissesse que não me amava que amava a Bella, e blábláblá. Saber era uma coisa, agora ouvir da boca dele seria mil vezes pior.

- Como você está com relação a ser uma loba? – ele me perguntou mudando de assunto de repente.

- Eu estou bem! Pra quem chegou a pensar que estava com alguma doença tropical sem cura, até que foi ótimo. – respondi dando de ombros, mas ele fechou a cara. – Você não gostou que eu fosse uma loba?

- Não. – ele respondeu seco.

Outch! – Olha Jake, você não precisa se incomodar com isso eu não vou ficar no seu pé nem nada.– me defendi.

- Não é isso! É perigoso! É muito arriscado, você pode se machucar!

- Eu sou forte! Sou uma loba! – sorri tentando animá-lo.

- É eu sei! – ele disse desanimado.

- Só me confirma uma coisa! É a Bella, não é?- agora era minha vez de mudar de assunto.

- Você percebeu. – ele falou cabisbaixo.

- É, de vez enquando até eu me surpreendo com a minha inteligência. – brinquei tentando deixar o clima mais leve. Ele riu mais parecia cansado. – Você tem que dormir! – mudei de assunto novamente.

- Me acompanha até em casa? – ele perguntou pegando minha mão. Entrelacei nosso dedos.

- Claro!- eu ainda estava curiosa, tinha que arrancar o máximo de informação possível para saber quais eram minhas chances. – Vocês se vêem muito?- perguntei enquanto caminhávamos pela trilha que dava na casa de Billy. Jacob uniu as sobrancelhas, antes de me responder.

- Agora não mais. – ele respondeu voltando o olhar para o chão. Ponto pra mim! Pensei. Nós andávamos a passos lentos, como se para prolongar o tempo juntos. – Ela ainda me telefona, mas eu não estou atendendo as suas ligações. - Cadela! Ponto pra ela! Ela ainda se faz presente.

- E você pretende voltar a falar com ela?- perguntei com medo da resposta.

- Eu acho que ainda não estou pronto pra desistir dela, ! – Merda! Dez pontos pra ela! Fechei os olhos para reprimir a dor. – Chegamos! – ele me disse apontando para uma casinha vermelha.

- Então tá! Durma bem!- falei dando meia volta, mas como Jacob não havia largado minha mão, fez com que eu voltasse num tranco e me chocasse com ele. No mesmo momento ele passou a outra mão pela minha cintura. As minhas estavam no seu peito.

- Não vai nem falar com Billy? Ele vai ficar chateado! – ele me disse a centímetros do meu rosto. Eu pisquei várias vezes tentando me concentrar novamente.

- Ok. – respondi baixinho, ainda deslumbrada com a nossa proximidade. Ele sorriu e me puxou varanda acima ainda segurando minha mão.

- Olá crianças! – Billy saudou assim que passamos pela porta. Ele baixou os olhos para nossas mãos juntas e abriu um sorriso que parecia que ia rasgar suas bochechas. Jacob percebeu, porque largou a minha mão no mesmo instante.

- Olá tio Billy!- Lhe dei um abraço.- Só vim dar um oi, porque esse menino precisa dormir. – apontei para Jacob. Billy sorria.

- Então aconteceu, ?- ele perguntou se referindo a minha transformação.Eu assenti. – Mas que maravilha! – ele parecia orgulhoso que nem meu pai. Jacob bufou.

- Ok! Agora eu vou. – falei indo para porta.

- Mas prometa que volta logo!- Billy disse.

- Claro, pode deixar!- respondi já saindo.

- Espere! – Jacob me alcançou na varanda.- Eu posso te buscar na loja do seu pai, no final do seu turno de trabalho, amanhã a tarde? É para te levar para fazer a tatuagem. – ele apontou seu ombro direito.

Ahn! Então era isso que a tatoo significava!

- Outra tatuagem? Ok.

- Como assim outra? Você já tem uma tatuagem? – ele perguntou curioso.

Só que agora eu iria aproveitar para provocá-lo.

- Sim tenho. Só que é em um lugar que não pega sol. – falei em um tom inocente, tentando segurar o riso da cara que ele fez. – Estou brincando, é quase em um lugar que não pega sol.

Ele baixou os olhos parando em lugares estratégicos.



- Hey! – reclamei cruzando as mãos no peito, rezando para que ele não notasse as minhas bochechas coradas.

- Desculpe! – ele disse. – Só estava imaginando onde...

Se ele pensa que sairia ganhando estava enganado, esse era um jogo que dois poderiam jogar.

- Se você merecer, um dia te mostro. – provoquei já me afastando para ir pra casa.

- Vai sair sem me dar um beijo? – ele me perguntou com um sorriso sacana. Claro que ele não iria me deixar ganhar.

Me aproximei devagar e me esticando na ponta dos pés, ficando a centímetros do rosto dele. Seu hálito quente batendo no meu rosto. Sorri e beijei o canto dos seus lábios, girei nos calcanhares e corri para casa.

Mas o que eu queria era que Jacob me segurasse ou me seguisse, mas ele não fez nenhum dos dois, o que me deixou profundamente irritada e frustrada.






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