Na expectativa da estreia no Brasil da adaptação do romance de Jack
Kerouac, diretor fala de cultura beat, de "viver experiências na pele" e
de Kristen Stewart:
Depois da exibição de "Na Estrada" no
Festival de Cannes, de onde saiu sem nenhum prêmio, o Brasil será o
quarto país a estrear a adaptação da bíblia beatnik escrita por Jack
Kerouac, no próximo dia 13. Em conversa com a imprensa nesta
segunda-feira (02), o diretor Walter Salles, acompanhado da atriz Alice
Braga – Kristen Stewart, Viggo Mortensen e todo o elenco internacional
não compareceu –, comemorou o fato de o filme já ter acumulado 500 mil
espectadores. Um final feliz para um projeto que demorou mais de meio
século para sair do papel.
Isso porque se fala de uma
adaptação desde a publicação do livro, em 1957, mas nenhuma conseguia
sair do papel. Francis Ford Coppola comprou os direitos no final dos
anos 1970 e, depois de um entra-e-sai eterno de equipe, encontrou no
cineasta brasileiro a solução.
Questionado sobre a
responsabilidade de assumir um longa-metragem que adapta um livro que é
ícone da contracultura norte-americana, Salles pareceu tranquilo com a
missão. "Tinha tido essa experiência antes em 'Diários de Motocicleta'
(sobre as viagens de Che Guevara pela América do Sul na juventude), já
que não sou argentino nem cubano."
Talvez por isso ele tenha feito
uma ressalva na sequência: "Adorar um livro não é passaporte suficiente
para se fazer uma adaptação. Por isso fiz o documentário: para ler mais,
conhecer mais, ir mais além. Só consegui encarar o filme depois disso."
Salles se refere a "Searching
for On the Road" (em busca de 'Na Estrada', na tradução), ainda em fase
de edição, em que refez, antes das filmagens, o percurso de Kerouac da
costa leste norte-americana para a oeste e entrevistou celebridades e
sobreviventes da geração beat, como, por exemplo, os poetas Lawrence
Ferlinghetti e Gary Snyder. "Foram as pessoas de 80 anos mais jovens que
já vi. Eles ficaram em sintonia com o que acreditavam quando tinham 20
anos. Foi muito instigante."
Ao mesmo tempo, a viagem serviu
também para descobrir que o interior dos Estados Unidos retratado por
Kerouac não existe mais. "Rodávamos centenas de quilômetros e víamos os
mesmos shoppings e cadeias de lanchonetes", disse o diretor, que
precisou filmar no Canadá e Argentina para simular as paisagens de
época.
"Está no coração de 'Pé na
Estrada' desbravar a última fronteira da América, o oeste – não é à toa
que o gênero fundamental do cinema norte-americano é o western. Mas
desde aquela época o livro servia também para retratar o fim da expansão
de territórios. Por isso é um pouco também sobre o fim do sonho
americano."
Com relação à influência da
cultura beat no mundo atual, Salles defendeu que nenhum movimento dura
para sempre, mas se traduzem para outras formas. "Quando Bob Dylan leu
'Pé na Estrada' na juventude, pegou a mochila e saiu de casa. Alguém
pode ter ouvido Dylan mais tarde e ter feito a mesma coisa. Pode estar
dentro da gente e nem sabemos disso."
"O livro tem esse aspecto
impactante de viver as coisas na pele, em primeira pessoa", continuou.
"Hoje nos comunicamos de maneira muito impessoal, SMS, telefone... (O
poeta) Gary Snyder me falou: 'Fazíamos mil quilômetros para ter uma boa
conversa, aprender alguma coisa'. Acredito que a experiência desenvolve o
raciocínio crítico, e só com ele se consegue entender o mundo e agir
sobre ele. O ato de experimentar cada momento como se fosse o último – é
disso que o filme fala."
Com uma pequena participação no
filme, em que interpreta uma namorada de Sal Paradise (Sam Riley,
alterego do autor), protagonista da história ao lado de Dean Moriarty
(Garrett Hedlund), Alice Braga concordou com o diretor.
"Acho que o que os personagens
vivem no filme é o que falta na minha geração. A gente vive de uma
maneira muito protegida, não se propõe a encarar o desconhecido, em
procurar algo que instigue. Espero que o filme inspire isso."
A brasileira foi só elogios ao
comentar a atuação de Kristen Stewart, que, prestes a se despedir da
"Saga Crepúsculo", fez em "Na Estrada", aos 22 anos, um de seus
primeiros trabalhos de temática adulta.
"Kristen é uma atriz muito completa, muito além de 'Crepúsculo' e outros filmes teen, e busca por coisas diferentes, o desconhecido."
Salles escalou Kristen para o
papel ainda em 2005, depois de ouvir o compositor Gustavo Santaolla e o
cineasta mexicano Alejandro González Iñárritu ("Babel") destacarem o
trabalho da atriz, na época com 16 anos, em "Na Natureza Selvagem", de
Sean Penn.
O diretor louvou a "fidelidade"
de Stewart com o projeto, mesmo depois do "boom" de "Crepúsculo" e sua
garantia de salários milionários (o que não foi o caso de "Na Estrada"),
e já deu uma pista de seus próximos trabalhos.
Fonte / Via
"Ela me contou o que quer fazer e são todos filmes na contramão. Bilheteria não é uma preocupação dela."
Fonte / Via

























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