terça-feira, 20 de março de 2012

FANFIC - Sol&Chuva - Capítulo 30







Capítulo 30


Despertei e sorri, quando senti que ele continuava comigo. Apertei mais meus braços em volta do seu peito.

- Bom dia, garota-do–Jake! – eu sorri com o apelido.

- Bom dia, garoto-da-garota-do-Jake! Dormiu bem?- olhei para cima para olhar seu rosto e Jake estava com meu sorriso-de-sol, nos lábios.

- É, posso me acostumar com isso.

- Que bom! – virei a cabeça para fora e me dei conta que dia era. – Eu tenho que trabalhar! – falei sentando na cama, só ai percebi que estava vestindo somente a camiseta de Jacob e não tinha idéia de como tinha parado dentro dela.

Jake riu.

- Acho que você já perdeu a hora! – puxou meu celular do chão e olhou o visor. - Quinze para as três! Mas tem tanta importância assim?

- Realmente, não! Mas ainda bem que o meu chefe é bastante complacente comigo. - deitei de novo em seus braços.


- Seu pai sabe que por uma boa causa... Mas eu não ganho nem um beijinho de bom dia?

- Sim, mas depois que eu for ao banheiro.

Ele sorriu e eu pulei para fora da cama. Abri a porta e escutei. Ouvi as patas do Lobo subindo as escadas correndo e entrando no meu quarto, ele pulou em cima de Jake me ignorando totalmente. Revirei os olhos. Escutei novamente, a casa estava silenciosa. Meu pai já devia ter saído para a reunião com os outros anciões do conselho a tempos. Com a luta marcada eles também se reuniam para decidir os posicionamentos para a proteção da reserva com Sam.

Olhei meu reflexo no espelho do banheiro enquanto escovava os dentes, meu cabelo estava muito emaranhado, não ia conseguir soltar então corri para o chuveiro. A água morna escorria pelas minhas costas, mas mesmo assim eu não conseguia relaxar. Alguma coisa estava errada, mas não conseguia entender o que podia ser. Estava terminando de tirar o creme do cabelo quando Jake abriu a porta do box.

- Jake! – gritei com o susto, cruzando os braços sobre o peito.

- Vim ver porque você estava demorando tanto. Ah para com isso, . Quem você acha que te vestiu ontem enquanto você estava praticamente desmaiada?

Soltei os braços e me virei de costas, ele entrou no box.

- Espero que você não tenha se aproveitado da minha inconsciência.

- Não fiz nada que não tenha feito antes com a sua permissão.

- Você não presta Jacob Black! – ele riu e beijou minha orelha. A água morna caia sobre nós.

Ele alisou a tatuagem do meu ombro, a mesma que ele tinha no braço. As borboletas no meu estômago se agitaram.

- Você é perfeita para mim, sabia?

Meu coração estava aos pulos, me virei e nossas bocas se juntaram, ele segurou minha cintura, e eu tive total consciência que nós dois estávamos nus. Ai o estômago do Jacob roncou e o meu fez coro com o dele. Nós dois rimos.

- É, acho que isso vai ficar para mais tarde. Termine seu banho que eu vou preparar um café da manhã para nós dois. – ele me deu mais um beijo.

- Agora você está mandando em mim, é? Droga, acho que eu não perdi o comando da relação.

- Perdeu feio, Black. – falei sorrindo presunçosa.

Joguei um vestido por cima do corpo, penteei os cabelos e corri para a cozinha. Joguei meia dúzia de ovos na maior tigela que consegui achar e comecei a preparar uma omelete gigante.

- Cara, vou ter que trazer umas roupas minhas e deixar aqui. – ele apontou para as bermudas que estava vestindo, as mesmas do dia anterior.- Se não, o que os vizinhos vão pensar? – ele me abraçou por trás me dando um beijo no rosto.

- Que vizinho? Seu pai ou o Velho Quil? Acredito que eles não se importam!

- É, realmente eles fazem parte do seu fã-clube. – ele se apoiou na parede me dando espaço para trabalhar. Eu ri.

- Ah eu tenho isso é? E tem muitos membros no meu fã-clube? – me virei para encará-lo enquanto esperava a comida ficar pronta.

- Mais do que eu gostaria. – ele me puxou pela cintura.

- Você não quer que as pessoas gostem de mim, é?- apontei.

- Defina gostar.

- Para de bobagem, Jake!- rolei os olhos.

- Eu já te disse como foi difícil no inicio, ter que agüentar aquele monte de lobos babões na minha cabeça.

- Pois é, e no entanto aqui estou eu ao seus pés! Isso deve dizer alguma coisa!

- Pois é! Isso deve dizer alguma coisa! – ele me puxou mais para perto e me beijou, eu nunca cansaria dos beijos de Jacob, mas o estômago dele roncou novamente. Eu ri.

- Droga! – ele praguejou.

- Vai para mesa Jake que a comida está pronta.

Eu observava Jake devorar o resto da omelete e das torradas com geléia, quando algo me ocorreu:

- Jake, eu estava pensando, - ele levantou os olhos do prato me encarando – você não acha que tem algo errado nessa história?

- Algo errado, como assim?

- São duas coisas grandes juntas, a Victoria e esse monte de sanguessugas vindo atrás da Bella ao mesmo tempo.

- Você acha que aquela sanguessuga ruiva tem algo haver com isso?

- Acho! Não acredito que a Bella tenha tanto poder de autodestruição assim para atrair tantos vampiros para ela. - E alguns lobisomens também. – acrescentei mentalmente.

- Sabe que você até que é inteligente?

- Até que sou inteligente, é? Poxa obrigada pelo elogio. - ele riu e me puxou para o seu colo me dando um beijo.

Ouvi o meu celular e corri para atender. Olhei no visor e não consegui identificar o número.

- Alô?

- ?

- Sim?- não reconheci a voz do garoto do outro lado da linha.

- É Edward Cullen, eu liguei para a casa de Jacob e Billy me deu o seu número dizendo que eu o encontraria com você. Está correto?

- Sim, só um momento. – passei o celular para Jacob. - É Edward! – Jacob juntou as sobrancelhas e atendeu.

- Sim?- houve uma pequena pausa - Eu sei das minhas obrigações. – Jacob disse entredentes.- Mais uma pausa.- Eu estarei lá no horário marcado. – e desligou na cara de Edward.

- Acho que não foi essa a educação que Billy te deu! – falei enquanto recolhia os pratos.

- Sanguessuga mauricinho.- ele grunhiu e eu ri.

- Sabe, eu não acho ele uma má pessoa, quer dizer, tirando o fato dele ser um vampiro, ele me parece ser bem legal. – falei enquanto colocava a louça na pia. Jake se levantou e guardou os suco.

- Ah não, mais uma fã do Edward?

- E ele é bem bonito, um pouco pálido demais pro meu gosto, mas... – gargalhei da expressão séria que Jacob assumiu.

- ARG! Cala boca, ! – ele me puxou forte para ele, grudando os lábios nos meus com força.

- Você sabe de quem eu gosto! – apontei.

- Sei? – ele me disse sério me fitando, eu rolei os olhos. – Tá na minha hora.

- Hã? - fiquei confusa pela mudança de assunto, e procurei o relógio na parede. Realmente estava na hora. Não importava o quanto eu tentasse me convencer que Jacob pelo menos gostava de mim e me queria, eu não conseguia deixar de ficar insegura quando ele me deixava para se encontrar com Bella.

Ele levantou me puxando para seus braços. – Quero falar com seu pai, hoje à noite. – ele me abraçou mais forte enterrando o rosto em meus cabelos.

- Então, te vejo na hora do jantar?- perguntei esperançosa.

- Venho às sete. - ele se inclinou em minha direção, colocou as duas mãos em meu rosto, e me beijou. Passei os braços pelo seu pescoço o puxando para mim.

- Vou ficar te esperando. – disse quando ele colou a testa na minha.

Jacob me beijou mais uma vez e depois começou a caminhar de costas. Parecia que ele também tinha dificuldades em me deixar. Sorriu e se virou correndo para a floresta.

Olhei para o céu e um arrepio correu pela minha espinha. Uma nuvem roxa tomava conta do lado norte, bem em cima das montanhas, um vento frio empurrou as folhas do gramado. Frio demais para época do ano. Algo não estava certo.

Eu não tinha nada para fazer então decidi dar um jeito na casa que já mostrava ares de abandono, queria tirar aquele frio na barriga que me incomodava. Para com isso, ! Tá tudo bem, tudo bem! Eu tentava me acalmar enquanto ajeitava as almofadas do sofá e recolhia jornais velhos que meu pai largava em qualquer canto. Deve ser pela proximidade da luta que esta me dando essa aflição! Comecei a varrer o piso onde bolas de poeira se acumulavam embaixo do sofá.

Dei mais uma olhada ao redor da pequena sala da casa de John, observando se havia mais alguma coisa fora do lugar. Como meu pai conseguia sobreviver sozinho? Eu teria que reorganizar meus horários depois que toda essa confusão acabasse, para que eu tivesse tempo para meu pai e para a casa. Não que ele reclamasse, ele viveria entre entulhos comendo comida em lata, só para ter a alegria de uma filha lobisomem. É, minha família não era nada normal!

A temperatura lá fora caia cada vez mais. Não que isso me incomodasse, e também não incomodaria Jacob, então a tempestade lá fora não era o problema. Será que toda essa angustia é pelo fato dele estar levando Bella para o acampamento? Ciúmes será isso o causador do embrulho dentro da minha barriga? Não, eu não era tão insegura assim, ou era? Balancei a cabeça, afastando Bella dos meus pensamentos, e voltei a andar pela minha sala agora muito bem arrumada, subindo as escadas em direção ao meu quarto. Esse era um cômodo que, claro, exigia certo cuidado. Roupas minhas e de Jacob estavam jogadas pelo chão, segurei um pedaço de pano esfarrapado bem perto dos olhos para reconhecer minha pobre blusa branca e um pedaço de renda do meu sutiã. Ri sozinha pensando no que será que meu pai acharia se entrasse no meu quarto. Agradeci o fato de minha mãe com seu super poder para descobrir essas coisas, estivesse à milhas de distância. Juntei todas as roupas inteiras que estavam no chão e coloquei no cesto de roupas.

Eu tinha tirado todos os retalhos do que um dia tinha sido minhas roupas do chão e colocado no fundo de um saco de lixo. Troquei as roupas de cama colocando um edredom limpo. Sentei na minha cama e respirei fundo. É, agora só faltava o banheiro.

Eram nove e meia da noite. O assado que eu tinha preparado já estava esfriando, meu pai se remexia no sofá assistindo TV.

- Que horas, Jake ficou de vir? – ele me perguntou pela quarta vez.

- Pai vem que eu te sirvo, depois eu como com o Jake. – ele se levantou rápido e se sentou na cadeira.

- Você fez bastante comida? Por que aquele menino come!

- Claro pai! – sentei em sua frente apoiando a cabeça nos braços e suspirei.

- Calma garota, se tivesse acontecido algo, Sam mandava algum dos garotos avisar! – passei a mão pelo rosto.

- Eu sei! - meu pai continuou comendo em silêncio, mas só por alguns minutos.

- Sabe, amanhã é um dia muito importante! Eu sei que não devia, mas eu me preocupo com você. – ele colocou uma mão sobre a minha – Você é a coisa mais importante da minha vida, então, por favor, , tome cuidado amanhã, por mim. Eu te amo, garota.

- Own pai! Eu também te amo, e muito!- dei a volta na mesa e o abracei. – Eu vou tomar cuidado, pai. Eu prometo!

Ele pigarreou, limpando os olhos com a mão.

- Eu queria falar outra coisa, - ele puxou meu braço me fazendo sentar na cadeira ao seu lado. - você sabe que eu gosto muito de Jacob, fico muito feliz que você dois estejam se acertando, e eu não me importo que ele durma aqui em casa,- meu estômago revirou, o sangue subiu fazendo minhas bochechas corarem. Então meu pai sabia o que eu achava que estava escondendo. – Calma garota, me deixe terminar. Eu aceito que ele durma aqui em casa, mas só se ele oficializar a relação de vocês.

- Pai...ãnn... eu não sei se eu consigo colocar o Jake contra parede, então acho que vou ter que pedir para ele não dormir mais aqui.

- Ok, mas não esqueça que o Jake ronca! – ele apontou e eu tive que me segurar para não me enfiar embaixo da mesa.

- Vou me lembrar disso. – falei levantando e recolhendo os pratos para a pia.

Dez e meia. Onde estava Jake? Cruzei os braços, bufando pela milésima vez no último minuto, e olhei para a janela de novo. Nada. Nem um uivinho sequer. Nossa última noite antes da luta. Puxei meu celular, mas o visor mostrava que nenhuma ligação tinha sido perdida. Então disquei o número da casa dele.

- Alô? - a voz de Billy atravessou a linha.

- Oi Tio Billy! Hã... Jake está?

- Não , ele ainda não voltou, querida!

- Ele ainda está lá em cima?- falei surpresa.

- Sim! Mas ,não se preocupe com nada, está tudo certo. Vá descansar que amanhã vocês têm um grande dia!

- Ah, ok. Obrigado Tio Billy!

- Se ele aparecer por aqui quer que eu te peça para ele te ligar?

- Hã... não,não, ele precisa descansar também. Boa noite!

- Boa noite, ! E não se preocupe!

-Ok! -e desliguei. Eu estava irritada demais. O que raios ele ainda estava fazendo na montanha?

Me deitei na cama vazia, eu sabia que tinha que dormir, descansar para amanhã, mas eu não podia, estava tão frio o meu quarto sem o meu sol para aquecer. A raiva e a tristeza devorando meu peito. Ele nem teve a decência de me avisar!

Eu não conseguia ficar um minuto no quarto vazio. Levantei da cama e pulei a janela. Não queria ter que dar explicações para o meu pai. Aterrisei nos meus pés, sem o menor ruído e corri para a floresta. Na proteção das árvores saltei na escuridão caindo em quatro patas que imediatamente cravaram na terra impulsionando minha corrida.

? ( Embry)

Embry, Paul e Jared, tinham sido designados por Sam, para fazer a vigia do nosso território.

Oi garotos! Vim fazer vigia com vocês

Ih, acho que Jake não vai gostar disso
(Paul)

? (Seth)

Seth, Jake está aí?

Seth estava de vigia no acampamento em cima da montanha.

Sim, ele está... ele está... ele está com Edward e Bella. Quer que eu o chame?

Não, Seth ...
– a imagem de Jacob dormindo com Bella ardeu na minha cabeça.

Desculpe, ! É que Bella estava com muito frio e .. sabe, Edward não pode fazer muito nesse caso.
Sem problemas, Seth, vê se descansa um pouco


Eu ainda estava correndo mais agora sem destino certo. Subi o penhasco. O vento jogava meus pêlos para todos os lados, eu não me importava, adorava o vento, clareava minha mente. Lá embaixo as ondas quebravam nas pedras.

Me deitei sobre minhas patas e deixei que a dor tomasse conta, lágrimas gigantes escorriam pelo meu pêlo formando possas no chão. A chuva começou a cair forte molhando meu pêlo prata. Eu não me importava mais. Queria poder me fundir com a chuva e ser carregada pelo vento até o mar. Mas ai eu nunca mais viria meu sol de novo, viveria em uma eterna tempestade. E isso era insuportável. Eu não tinha escolha. Eu não conseguiria viver sem Jacob assim como não conseguiria viver sem o ar. Eu queria meu sol, nem que fosse só alguns raios dele. Sam estava certo, Bella era como um vício para Jacob, e ela o sugaria até o final. E quando isso acabasse, quando Bella não fosse mais humana eu estaria lá ao lado dele para ajudar a juntar todos os seus pedaços.

A noite estava no fim. A chuva se transformou em uma pequena e fraca garoa. Levantei da pedra onde estava deitada sacudindo todo o excesso de água de meu grosso pêlo.

Um uivo ecoou na encosta. A hora da luta se aproximava.







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